Porque a vida não tem de ser algo secreto e tão pessoal que ninguém te consiga atingir. Nem tão transparente que se torne méra curiosidade alheia.

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

agarrar a ti.



Quis agarrar a ti o mar
Quis agarrar a ti o sol
Quis que o mar fosse maior
Quis que o mar tocasse o sol
Quis que a luz entrasse em nós
Inundasse o lado frio
Quis agarrar a tua mão
E descer o nosso rio

Quero agarrar a ti o céu
Quero agarrar a ti o chão
Quero que a chuva molhe o campo
E que o campo seja teu
Para que eu cresça outra vez
Quero agarrar em ti raiz
Quero agarrar a ti o corpo
E eu quero ser feliz...

Quis agarrar a ti o barco
Quis agarrar a ti os remos
Que usamos nas marés
Quando as ondas são de ferro
Quero agarrar a ti a luta
Quero agarrar a ti a guerra
Quero agarrar a ti a praia
E o sabor de chegar a terra


Porque o mar tocou no sol
Inundou o lado frio
Porque o sol ficou em nós
E desceu o nosso rio
Por isso dá-me a tua mão
Não largues sem querer
Quero agarrar a ti o mar
Eu quero é viver.


Se tens medo da dor
Vem ver o que é o amor
Se não sabes curar
Vem ser o que é amar

Quero ver-te amanhecer.




Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Escolhas, prioridades e decisões.



A vida é feita de escolhas sim, de prioridades e decisões…
Num determinado momento temos de decidir o que é importante, o que é possível, o que queremos mesmo, e o que podemos fazer…
Não, não é fácil.
Mas com o passar do tempo a pressão só aumenta, e cada encruzilhada será mais complexa, mais exigente e com mais cobrança...


Mas eu não tenho medo de falhar, de não conseguir, de não tentar…

Tenho medo sim, de olhar no espelho e saber que não fiz tudo o que podia ter feito.

Se o fiz, e ainda há assim tudo se repete, então a tal decisão é a correcta.



Igual ao dia...
Chuva e nublado.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

"tempo"

"Não há tempo, não há tempo
Porque já antes não o houve.
Já não o há porque já o gastamos,
Porque já passou.

Não há tempo agora
Nem um minuto,
Quanto mais uma hora.

Nunca houve tempo
Nunca houve tempo que chegasse para amar.

Não tenho tempo.
Não tenho tempo para ser o que quero ser.
Não tenho tempo para ser o que os outros precisam
Porque perco tempo a tentar ser
O que acho que quero ser
O que acho que os outros precisam. "




"O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós

O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem princípio nem fim
Meu amor, huuum, tu cabes dentro de mim

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz
Meu amor, o impossível seduz

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

O meu tesouro és tu
Eternamente tu."



"Amor é muito mais do que hábito, é sobretudo tempo.
E quando se ama, há sempre dúvidas e medos, há sempre uma vontade secreta de outros desejos, de outras vidas, de outras viagens, mas vem o tempo e decide por nós aquilo que não somos capazes.
Quando se ama alguém tem-se sempre tempo para essa pessoas. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbgo respirar. E aprendemos a respirar na espera, a viver nela, afeiçoando-nos a um sonho como se fosse verdade. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcançe do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. "



Cada vez acho mais que a palavra "tempo", no contexto do "não tenho tempo para nada" é usada como desculpa, desculpa essa para camuflar o quê?
É usada para mais do que devia... Ou para mais do que é aceitavel.

Não vos parece?



Segunda-feira, Outubro 15, 2007

acreditar


Ás vezes. Até parece. Que não vai dar.
Que não apetece.
Não.

E quando vamos largar.
É aí que tudo acontece.



No fundo de tudo, está aquele sabor que anseia crer
um pouco mais do que esperam de nós.





Quarta-feira, Outubro 03, 2007

motivos.



"Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava para longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar

e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu

(...)

e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim"



Nunca gostei muito de dramas e de desabafos pseudo-sentimentais, e por incrivel que pareça, não é disso que se trata, alias, este desabafo é mesmo físico! (Neste momento, se houvesse audiência, conseguiria distinguir um riso ou dois) mas a verdade é esta. Ando cansada, esgotada... acima de tudo, a ficar desmoralizada.



Chegar a fase em que conheco na totalidade a pessoa com quem mantenho uma relação,
nos leva ao extremo, nos leva ao limite da paciencia e compreenção.

Chegar á hora de ter de decidir,
se o caminho certo é seguir ou tomar outra direcção...


Tenho medo?
Sim tenho.





Sexta-feira, Setembro 21, 2007

opções


' Não trates como prioridade quem te vê como uma opção. '


Dá que pensar...

Será que tudo o que temos/fazemos/decidimos/estamos - não se resumem a opções que tomamos em todos os caminhos que se depáram conosco?!



Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Amor é uma coisa.


O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser possível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra.

O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.


O amor é uma coisa, a vida é outra.

A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra.

A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.

A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso


Há momentos, vivencias, recordações que nos fazem pensar.
E ver que nada é mesmo perfeito.


Saudades do meu cantinho. *